Sabe daqueles dias que você acorda com uma vontade imensa de fazer uma faxina geral?
Acordei assim hoje, saí limpando tudo, lavando tudo, jogando fora tanta coisa...
Achei uma caixa antiga toda empoeirada, minha rinite atacou só de olha-la. Tenso.
Criei coragem e quando eu abri a caixa, foram espirros para todos os lados. Era uma caixa tão antiga que eu nem sabia o que havia ali dento, tirei cartas de amores correspondidos e não correspondidos, tirei fotografias de amigos que hoje já não fazem sentido, tirei diários que escrevia quando eu tinha 13 anos, tirei muita lembrança de coisas boas e nem tão boas, achei a foto do meu primeiro Hamester, Pingo, achei uma foto quando eu era a melhor amiga da minha irmã, achei uma foto da minha mãe no auge da sua vida profissional, achei pedaços de flores e folhas secas, reencontrei uma amiga tão querida em uma carta escrita há quase 10 anos, achei o ultimo pass que usei em Goiânia, encontrei a minha caderneta do Colégio da Polícia Militar, achei um desenho de um cisne que uma colega me deu de presente de aniversário, encontrei Cd's arranhados, encontrei, também, a primeira caneta que usei até a carga acabar, achei pacote de doces(claro!), achei o jornal que dizia que eu tinha sido uma das aprovadas na Universidade Estadual e quando eu achava que não encontraria mais nada, algo se mexeu.
Gritei e me afastei.
Mas sou muito mais curiosa do que medrosa. Coloquei a mão de novo e peguei o que tanto se mexia, pasmem, não era um bicho, tinha o formato de uma pedra meio oval e se mexia sem parar, pra dentro e pra fora, tic tac, tum tum..
Era o meu coração.
Chorei.
Como tinha vivido tanto sem ele?
A faxina, ás vezes, pode nos devolver coisas que já estávamos cansados(ou desistimos) de procurar.
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